sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010


Mais um pequeno trecho do meu romance “O Frio de um Cadáver.

Fazia frio naquela noite, não era nada confortável tentar focar os olhos em uma linha tênue, fascinar e flexionar o labirinto que sufocava o que restou das emoções. Os tormentos soluçavam em sua paralisia momentânea, mais do que nunca lhe ardia o medo de estar novamente ao mundo das perturbações. Eis que lhe deu um estalo na cabeça, veio como um mar de idéias, lembranças, dores e cicatrizes da sobriedade.

_Sempre tive razão em me espreitar durante as noites nos vales sombrios da falsidade, propiciando fantásticas aventuras com a massa incrédula encefálica. Minha inquietude é monótona, os seres me invejam, tenho a faca e o queijo, sou a casca e o miolo, posso sentir sem mesmo ser atingido.

Durante quase dez minutos, permaneceu ludibriado, sem nenhum movimento, estranhamente imaturo e singular. Corriam rumores em sua imaginação de que tinha sentido vontade de se devorar quando feto, abraçar o holocausto, sacrificar o seu futuro para preencher o mármore da lápide. Estripou-se de ponta a ponta, de fora para dentro, da alma para o corpo, da substância ao astral.

_Heresia! Levou suas mãos ao alto, os olhos entreabertos afogados em lágrimas iniciaram o processo de humanização. Foi amaldiçoado novamente ao se descobrir bípede no universo, sua vibrante harmonia com a desgraça podia ser ouvida em todos os lugares, nos becos e bares, até cães e ratos sentiriam o algoz de seu ódio.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010


Hoje comecei a escrever meu primeiro “romance”, O FRIO DE UM CADÁVER.

Estou empolgado porque vou participar com ele de um concurso literário de Portugal, onde o vencedor ganhará 100mil euros, cerca de 260mil reais (é muita grana!).

É o meu primeiro livro no estilo “romance”, segue abaixo o começo:


"Acordou com o barro sobre seus lábios, a desesperança incomodava sua visão há tempos bloqueada, nada de sorrisos irônicos, sua pele tão seca como quem prova do próprio veneno sem temer a crueldade. Levantou-se em lugar algum sem saber o motivo de acordar, olhou para si próprio e viu um corpo em trapos, viu um trapo coberto de trapos, um homem já havia sido contemplado com aquele corpo, mas nada, absolutamente nada era ou poderia ser mais doentio do que ser um trapo coberto por outros trapos. Tocou-lhe no peito, sentiu um pedaço desfibrado, algo havia sido arrancado antes de ser enterrado, e foi então que viu mãos calejadas com rastros de vermes, um cheiro insuportável saindo pela culatra, mas quem se importa? Estava acordado sem mesmo saber o que aquilo significava, perdido ou preso em lugar algum, sem mesmo ter a saliva para engasgar.

Pensamento estático! Não pensava, não tinha, não foi! Quanta postura adquiriu naquele belo momento de se levantar em meio ao desconhecido, se postou de quatro e sentiu uma pequena sensação de inferioridade diante da brisa nefasta, não balançava o cabelo, não tinha o que balançar, nem mesmo atitudes comoventes. Aparentava ser velho, não tão quanto por rugas e cabelos brancos, nem tinha mais cabelos, mas velho ao ponto de se lembrar quem realmente era fadigado com o breve despertar do caos. Mediu-se da cabeça aos pés, incomparável! Aquilo era uma carcaça carcomida, restos de uma vida, semblante de doença incurável."

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Hoje vi um concurso literário de minicontos cujo o tema era "O MONSTRO DEBAIXO DA CAMA, como não estava fazendo nada, resolvi escrever e participar.

Segue abaixo o miniconto.


Atroz


Parecia tudo tranqüilo naquela noite, a janela aberta mostrava parasitas perambulantes por todos os becos sem o mínimo interesse em respirar fumaça. Uma brisa semelhante aquela me fazia compreender a estupidez corrosiva que germinava em meu peito, auto-suficiência para esconder o prazer modesto de sangrar. Devastando o limite da carniça infeccionada em meu ser, o prazer era apenas sentar e lamentar. Aquela poltrona não era confortável ao ponto de relaxar, sem o cuidado de limpá-la fui me decompondo aos poucos e transmitindo essa doença viral chamada vida para o objeto inanimado. Quando a percebi já estava pensando por si só, gritava e apontava meus defeitos, sempre criticando essa mania besta de apenas sentir os pulmões espremidos. Fiquei naquela rotina que não me cansava, não tinha motivos para mudar, aliás, eu não queria mudar.

Num dia o sol veio, maldito astro iluminado que liberta crenças, arranca a vida! Não pensei duas vezes, não havia outro lugar para esconder minha ideologia, não queria perder o que cultivei na minha doutrina escassa de vitórias. Procurei um canto onde pudesse continuar ironizado, encontrei um lugar debaixo da cama.

domingo, 24 de janeiro de 2010


Uma noite de inferno na cidade,

O diabo condenava os malditos,

Dentro do meu quarto ouvia os gritos

E preces para salvar a humanidade.


Uma imensa vontade de sair do quarto

Levando comigo a dor no peito,

Chegar aos pés do inferno satisfeito,

Enjoado, enlouquecido, vítima do enfarto.


Um susto! Alguém bateu na porta,

Não sei quem me descobriu na casa,

Anjo, demônio, alguém que tenha asa

Ou a criatura que escreve em linha torta.


Abri a porta e não era ninguém! Raios!

Um deles acertou o meu modesto olhar

Embaixo dos lençóis senti gozar

A insatisfação de viver apenas ensaios.


Não era como esse inferno por todos imaginado!

Não havia fogo, cadáveres, sofrimento!

Apenas a desilusão de viver o momento

Enlouquecido com a cena do sangue derramado.


Novamente da porta ouço um ruído!

Quem é!? Pergunto assustado na cama,

E vejo uma mulher nua que inflama

O desejo de se tornar um anjo caído.


Acaricie o meu corpo, o meu rosto,

Mostre-me os faróis da solidão,

Me despida sem o medo da desilusão

De jamais esquecer o teu gosto.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010


Aê pessoal, mais uma vez esse parceria rendeu belos comentários!


Agradeço mais uma vez a banda PORÃO 365 que sempre ajudou a divulgar meu trabalho!

Grande abraço pra essa família do Rock and Roll !!!


Trecho da poesia “Heurístico


“...Hoje me sinto um buraco negro que repele a massa e o senso,

A última lágrima que escorre com o brilho da vida,

Já não me restam prazeres e contentamentos,

Quero me libertar da luz como a estrela que desiste do universo...


...A minha alma estava desesperada,

Continuei indo para baixo,

As minhas mãos sangravam,

Continuei indo para baixo,

O conforto se tornou realidade,

Meu único suspiro era crucial,

Então me calei.”