Mais um pequeno trecho do meu romance “O Frio de um Cadáver”
Fazia frio naquela noite, não era nada confortável tentar focar os olhos em uma linha tênue, fascinar e flexionar o labirinto que sufocava o que restou das emoções. Os tormentos soluçavam em sua paralisia momentânea, mais do que nunca lhe ardia o medo de estar novamente ao mundo das perturbações. Eis que lhe deu um estalo na cabeça, veio como um mar de idéias, lembranças, dores e cicatrizes da sobriedade.
_Sempre tive razão em me espreitar durante as noites nos vales sombrios da falsidade, propiciando fantásticas aventuras com a massa incrédula encefálica. Minha inquietude é monótona, os seres me invejam, tenho a faca e o queijo, sou a casca e o miolo, posso sentir sem mesmo ser atingido.
Durante quase dez minutos, permaneceu ludibriado, sem nenhum movimento, estranhamente imaturo e singular. Corriam rumores em sua imaginação de que tinha sentido vontade de se devorar quando feto, abraçar o holocausto, sacrificar o seu futuro para preencher o mármore da lápide. Estripou-se de ponta a ponta, de fora para dentro, da alma para o corpo, da substância ao astral.
_Heresia! Levou suas mãos ao alto, os olhos entreabertos afogados em lágrimas iniciaram o processo de humanização. Foi amaldiçoado novamente ao se descobrir bípede no universo, sua vibrante harmonia com a desgraça podia ser ouvida em todos os lugares, nos becos e bares, até cães e ratos sentiriam o algoz de seu ódio.





às 10:39 AM Escrito por Grito de Liberdade
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